| 12 - OS EXUS DE UMBANDA
E O CULTO AO DEMÔNIO
Toda e qualquer reunião de Umbanda inicia com
um presente oferecido ao Exu, como dizem os umbandistas:
“o agente mágico universal, por cujo intermédio
o mundo dos vivos se comunica com o mundo espiritual.,
em seus diversos planos, pois este planeta, no qual
habitamos, pertence aos Exus. É o exu (em outros
lugares também denominado Zumbi, Cariapemba,
Leba, o homem das encruzilhadas) o espírito mais
invocado, e a ele são oferecidos o maior número
de presentes (“despachos”).
E não se diga que o culto ao Exu é exclusivo
da Quimbanda, da Macumba, do Candomblê ou do Batuque. Na
Umbanda os Exus são constantemente invocados
e trabalho algum é começado sem que sejam
salvadas (isto é: reverenciadas) essas entidades;
nenhum trabalho de Umbanda pode fazer-se sem antes ser
riscado o ponto de segurança, chamado porteira,
puxando-se um ponto (canto) adequado, dando-se algumas
vezes um presente a Exu, quando se trata de um trabalho
importante.
Pois bem, este autor, como, aliás, também
outros pesquisadores de Umbanda, identificam os exus
com os demônios. Dizem os umbandistas que os Exus
podem dar forças suficientes para com o mal prejudicarem
os outros. Os Exus atuam da maneira mais variada possível. Mostram-se
mansos como cordeiros, porém o seu íntimo
é uma gargalhada demoníaca de gozo. Podem
ser usados também como armas contra os malefícios
que outros fizeram, pois, interesseiros como são,
tanto se lhes dá seja de um ou de outrem, a alma
ou o espírito que pretendem arrastar.
O Exu é em via de regra interesseiro, e, se
lhe recebe um presente (despacho), fatalmente ele irá
cumprir o que lhe foi pedido, pouco se importando que
o resultado bom ou mal possa repercutir no Mundo Terreno,
pois que só lhe apraz fazer o que está
errado e é para isso que eles existem. Sendo
o Exu o dono principal das ruas e encruzilhadas, é
a ele quem primeiro devem saldar, pois é somente
com a sua licença que podem dirigir um trabalho
de Magia, pelo fato de ser ainda ele o elemento mágico
universal.
Pensam os umbandistas que Deus é bom e não
faz nem pode fazer mal. Ele é o Pai bondoso de
todos e tem obrigação de cuidar de seus
filhos. Não precisam por isso de estar pedindo
favores a Deus. Pedir a Deus seria até um sinal
de desconfiança. Mas o Exu é ruim, sempre
pronto a fazer das suas, para prejudicar e fazer
o mal. Todavia, querendo, o Exu também pode favorecer
e servir para o bem. É por isso que precisam
se esforçar para estar de bem com ele. Daí
a necessidade de cultuá-lo, de oferecer-lhe sacrifícios
e presente. Então ele se põe às
ordens e faz o bem (ou o mal) que lhe pedem.
Os Exus são numerosíssimos. Têm
os nomes mais extravagantes: Exu Tranca Ruas, Exu Quebra
Galho, Exu das 7 Poeiras, Exu das 7 Portas, Exu Tranca
Tudo, Exu cheiroso, Exu da Capa Preta, Exu Tiriri,.
Exu Calunga, Exu Morcego, etc. Cada um deles tem a seu
serviço numerosos subalternos. Eles dividiram
entre si o mundo, de que são os senhores imediatos,
com liberdade sem restrições: uns mandam
nos rios, outros nas matas, outros nas estradas, nas
montanhas, nos cemitérios, nas soleiras das casas,
etc. Vários deles (como Tranca Tudo e Tranca
Ruas) fazem qualquer “serviço”. Outros
têm especialidades: alguns possuem qualidades
especiais para transmitir doenças, outros para
produzir desastres, outros para matar, outros para seduzir
moças, separar casais, etc.
.
13 - CONCLUSÃO
A Umbanda está sendo considerada pôr muitos
estudiosos como cultura do povo brasileiro. Ela é
fruto do sincretismo entre o catolicismo medieval português,
religiões africanas, culto dos ancestrais índios
e o espiritismo de Allan Kardec. O desafio da Umbanda
está diante da Igreja de Jesus Cristo no Brasil,
que até hoje não se despertou suficientemente
para reconhece-lá tal qual ela é, e considerar
e calcular o preço envolvido em aceitar o desafio.
Os praticantes da Umbanda de alguma forma entram em
compromisso direto com demônios, pactuando-se
com Satanás que se transforma em “anjo
de luz”. Esperamos que esta análise possa
ser útil a todos os que estão empenhados
em batalhar diligentemente pela “fé que
uma vez pôr todas foi entregue aos santos”
Jd 3; Jo 8:32,36
14 - VOCABULÁRIO UMBANDISTA
Abacê — cozinheira que prepara as comidas
de santo.
Acassá — bolo de milho
Agô — licença
Agô-iê — dai-me licença
Alá — dossel no terreiro, debaixo da qual
se servem as comidas de santo
Amalá — comida de santo
Aparelho — médium em função
Atabaque — tambor
Babalaô — chefe de terreiro, pai de santo
Babalorixá — o mesmo que babalaô
Batuque — sapateado africano
Burro — médium em transe
Búzio — concha marinha, caracol
Cacimba — vasilha
Calundo — espírito protetor das parturientes
Calunga — cemitério
Calunga grande — mar
Cambiá — amuleto para ser enterrado
Cambono — auxiliar nos trabalhos do terreiro
Cambono colofé — auxiliar nas cerimônias
de iniciação
Candombé — reunião de médiuns
e pessoas com apetrechos apropriados para fazerem canjerê
Canjerê — despacho ou trabalho
Canjira — local de dança
Carau — comida de santo
Cavalo — médium em transe
Coité — vasilha, cuia
Congá — altar
Curiar — comer, beber
Curimba — dança
Demanda — questão, luta
Dumba — mulher
Ebó — milho branco preparado com azeite
Egum — espírito de pessoa falecida
Embé — sacrifício de animal
Embanda — mensageiro, porta-voz
Ebó — comida de santo
Epó — azeite
Exu — espírito mau, demônio
Filho de santo — médium em que se incorpora
um orixá
Ganga — chefe de terreiro
Gongá — altar, santuário, local
de trabalho
Guia — pulseira
Iansã — orixá feminino do vento,
mulher de Xangô, patrona das mulheres livres.
Santa Bárbara
Ibeji — orixás gêmeos, Cosme e Damião
Iemanjá — orixá feminino do mar.
Nossa Senhora
Jabonã — mãe de terreiro, de segunda
categoria
Kalunga — espelho
Karunga — mar
Macumba — vara de ipê ou bambu, cheio de
dentes, com laços de fita em uma das pontas,
na qual um indivíduo, com duas varinhas finas
e resistentes, faz o atrito sobre os dentes, tendo uma
das pontas da vara encostada na barriga e outra encostada
na parede.
Marafa — aguardente, paratí
Mironga — mistério
Mucamba — mulher auxiliar do terreiro
Muginga — pipoca preparada para o ritual da troca
de cabeça
Nunanga — vestes cerimoniais
Obá — céu
Ogã — babalaô de segunda categoria
Ogum — orixá das demandas. São
Jorge (no Rio), e Santo Antônio (na Baía)
Omulu — orixá da morte, das pestes. São
Lázaro
Orixá — divindade secundária, espírito
de luz
Otá — fetiche, imagem de um orixá
Oti — bebida
Oxalá — chefe dos orixás, Cristo
Oxóssi — orixá das matas, da caça.
São Sebastião (no Rio), São Jorge
(na Baía)
Oxun — orixá feminino dos rios. Nossa
Senhora
Pegi — altar
Pemba — giz, para riscar os pontos
Ponteiro — punhal
Ponto cantado — hino, canto evocativo
Ponto riscado — sinal cabalístico evocativo
Samba — mulher auxiliar da mãe de santo
Sangue — vinho
Saravá — saudação, cumprimento,
“salve”
Ubá — casca de árvore
Urubatã — “caboclo”, chefe
de falange.
Vumbi — cerimônia fúnebre,
depois da morte de um pai de santo ou
de um babalaô, a fim de afastar o seu espírito
da sua casa
Xangô — orixá dos raios, das tempestades.
São Jerônimo
Zambi — Deus
Zumbi — chefe, rei. |