| 1 - INTRODUÇÃO
É, porém, inegável a proliferação
verdadeiramente espantosa desses centros de superstição,
depravação, degradação moral,
em que se misturam práticas fetichistas e ritos
católicos, deuses africanos e santos católicos,
num sincretismo bárbaro de necromancia, magia,
politeísmo, demonolatria e heresia.
E não julguemos que se trata de um movimento
apenas entre a gente de cor. A absoluta maioria dos
“chefes de terreiros” são brancos
e as tendas também são freqüentadas
pôr pessoas que vão até lá
em carros do ano e até mesmo carros oficiais.
Alguém poderia dizer que a umbanda é uma
religião própria da classe inculta ou
ignorante, haveria de diminuir na proporção
em que crescesse o índice de alfabetização.
Mas isto não acontece. Pois vemos entre os freqüentadores
até gente de destacada posição
social. Presidentes, Senadores, Ministros, Deputados,
Prefeitos, Vereadores, artistas etc. O próprio
Governo parece fomentar esse movimento como espetáculo
de valor turístico.
2 - CONFUSÃO NA UMBANDA
Cada um procura fazer uma Umbanda a seu modo, e dentro
do conceito que ele próprio imagina, de acordo
com a sua instrução, com a sua capacidade
de imaginação, com seus conhecimentos,
e, quase nunca, com a orientação dada
pelos seus próprios guias. Não somente
cada autor, cada chefe de terreiro proclama: “A
Umbanda que aqui se pratica, é muito diferente
dessa Umbanda que se pratica pôr aí afora”.
Pois: “Inúmeras são as contradições
existentes entre os próprios praticantes da Umbanda..
Uns querem voltar ao mais puro africanismo; outros
rejeitam energicamente todos os elementos africanos,
outros pretendem ter encontrado a mais pura Umbanda
nas religiões da Índia; nem falta quem
declare que “o livro fundamental de Umbanda é
a Bíblia, com o Antigo e Novo Testamentos, tal
como estão escritos, não se admitindo
interpretações simbólicas”.
3 - A PALAVRA “UMBANDA”
A confusão já se manifesta na explicação
da origem do significado da própria palavra “Umbanda”.
Há mil interpretações sobre a palavra
Umbanda. Essa palavra é um constante e permanente
desafio aos estudiosos do assunto. Uns dizem que é
Luz Irradiante, outros dizem que é Banda de Deus,
há os que dizem que é Corrente Espiritualista,
Na Luz de Deus, Legionários de Deus, e vai por
aí afora, porém tudo vago e indefinido,
sem haver, entretanto, uma explicação
cabal e convincente. O Dr. Artur Ramos já reconhece
a palavra, que é de origem africana, designado
o grão-sacerdote do culto banto ou invocador
de espíritos. No catecismo de Umbanda diz que:
“Umbanda é uma palavra africana, significando
ora o sacerdote, ora o local onde se pratica o culto”
— p. 7.
4 - UMBANDA É ESPIRITISMO
Existe grande desavença entre os adeptos do
Espiritismo Kardecista (que aceita codificada por Allan
Kardec) e os do Espiritismo Umbandista. Uns e outros
fazem questão de dizer “espíritas”
Mas os primeiros declaram que foi Allan Kardec quem
criou e fixou o termo para designar especificamente
o Movimento Espiritualista pôr ele iniciado e
que, por conseguinte, outros não podem usurpar
a mesma designação para um movimento essencialmente
diferente. É a razão por que reclamam
o termo “espírita” para si exclusivamente. Nem
por isso os umbandistas deixam de chamar-se “espíritas”. Podem
alegar em seu favor que a Umbanda de fato não
é ,essencialmente diferente do kardecismo.
Mas existe outra razão muito mais decisiva que
nos permite identificar a Umbanda e o Espiritismo. Pois
todos os umbandistas aceitam a doutrina ou filosofia
kardecista da reencarnação. O umbandista
acredita na lei das reencarnações, na
lei da evolução das almas, aceita a “revelação”
de Jesus Cristo. Dois pontos distinguem os umbandistas
dos kardecistas: a.) a prática da comunicação
dos espíritos dos mortos, b.) o ritual, muito
complexo na lei de Umbanda, que é uma religião
de culto externo.
5 - UMBANDA, A QUARTA REVELAÇÃO.
Aceitando embora integralmente a revelação
kardecista, a Umbanda pretende, no entanto, aperfeiçoá-la
e ultrapassá-la . Para os umbandista Kardec
é grande, mas a Umbanda é maior. Moisés
trouxe a primeira revelação, Cristo veio
com a segunda revelação, Kardec declarou
o espiritismo portador da terceira revelação,
mas a Umbanda seria a última, a Quarta Revelação.
Assim como Cristo retificou e superou Moisés,
como Kardec corrigiu e suplantou Cristo, assim a Umbanda
julga purificar e vencer Kardec, Cristo, e Moisés.
É que eles, os umbandistas, tiveram a dita de
entrar em relações com espíritos
superiores aos daqueles que ditaram suas mensagens para
Allan Kardec, espíritos “que possuem mais
vastas concepção do universo e reconhecem
a existência de outra ordem de espíritos
(não humanos), cujas relações entre
os mesmos e os humanos não deve ser apenas de
mérito intercâmbio e sim de cultuação,
o que exige (e mesmo que o contato seja estabelecido)
uma verdadeira ritualística
6 - UMBANDA É MAGIA
Todos os autores umbandistas que tenham pesquisado
definem este movimento como sendo magia; por exemplo:
a Umbanda faz magia pôr intermédio das
forças invisíveis, baseadas nas forças
astrais, com rituais, preceitos, sinais cabalísticos,
cânticos e outros elementos, como a água,
o fogo, a fumaça, as bebidas, as comidas, os
animais, apetrechos apropriados, etc. O umbandista poderia
ser comparado com os “alquimistas, feiticeiros,
advinhos, pitonisas do passado.
O espiritismo kardecista evoca os espíritos
para deles ter notícias, obter comunicações
doutrinárias, ou ainda, quando se trata de espíritos
atrasados, para instruí-los; mas não existe
a idéia de fazer certos “trabalhos”
a favor ou contra determinadas pessoas. A Umbanda
porém, vai bem mais longe,: no culto aos exus,
considerados “os agentes mágicos universais
que estes espíritos são evocados pôr
meio de ritos, sinais cabalísticos (“pontos
riscados”) , versos evocativos (“pontos
cantados”) e objetos ( galos, galos pretos, charutos,
cachaça, velas, etc.) que lhe são
oferecidos (“presentes”, “despachos”)
para conseguir que se ponham ao serviço do homem
e façam ou desmanchem determinados “trabalhos”.
E isso é magia no sentido mais estrito da palavra.
Ora, tanto a necromancia dos kardecistas, como a magia
dos umbandistas, foi proibido por Deus. Eis alguns
exemplos: Lv 20:6; Lv 19:31; Dt 18:12-14; At 8:9-11;
At 13:10; At 19:10.
7 - UMBANDA E QUIMBANDA
Querem alguns distinguir entre Umbanda e Quimbanda,
dizendo que ambos praticam a magia, sim, mas com a diferença
de que em Umbanda ela é feita apenas para o bem
(e seria a Magia Branca) e em Quimbanda (Magia Negra)
os trabalhos seriam exclusivamente maus.
Na sua essência íntima, a Quimbanda é
em quase tudo idêntica ao que se cultua na Umbanda.
Quando alguém procura a Quimbanda, procura porque
quer fazer trabalhos; por exemplo: “para obrigar
o namorado ou amante a voltar a se casar; para amarrar
o homem com a mulher; para que o marido se conforme
com a mulher ter o seu amante; para uma mulher tirar
o homem da outra; para que o homem só tenha potência
para uma mulher; para amarrar a vida e negócio
dos outros e os arruinar; para obrigar outros a fazer
o que não é justo; para castigar os inimigos,
pô-los doentes ou então matar, etc. Essas
pessoas recorrem aos serviços dos exus que também
são cultuados na Umbanda, sendo que na Quimbanda
só trabalham com os exus.
8 - UMBANDA É A NEGAÇÃO DO CRISTIANISMO
Já vimos que a Umbanda, em sua prática
da evocação dos espíritos e em
seus trabalhos de magia (branca ou negra, tanto faz)
desobedece a Deus, revoltando-se contra uma ordem clara
e repetida do Criador. Verificamos que a Umbanda, em
sua doutrina panteísta, contesta e deve contestar
toda uma longa série de verdade cristãs
a respeito de Deus: Nega a Trindade, a existência
de um Deus pessoal e distinto do mundo; a divindade
de Jesus, a redenção por Cristo, a Graça
de Deus, a ressurreição de Cristo, o juízo
depois da morte, a ressurreição final
de todos os homens, a existência do inferno, dos
demônios, do diabo etc.
Tudo isso, em outras palavras, é a negação
total da doutrina cristã e por isso do Cristianismo.
9 - A HIERARQUIA EM UMBANDA
Não existe uniformização de ritual
dentro dos vários terreiros. A extrema complexidade
dos ritos para a evocação mágica
dos orixás, eguns e exus, ou para outros “trabalhos
espirituais de caridade”, reclama numeroso pessoal,
suficientemente instruído e habilitado. É
necessário tomarmos conhecimento da terminologia
própria da Umbanda e das atribuições
dos vário graus da hierarquia umbandista:
a. O chefe principal — ou chamado chefe do terreiro,
é denominado geralmente “Pai de Santo”
(tradução literal de babalorixá:
baba = pai, orixá = santo) ou babalaô,
babaloxá, babaluê, ou ainda: cacique, príncipe
de Umbanda, senhor de Olorum; quando for mulher, é
“Mãe de Santo”, ou simplesmente baba
b. Ogãs — homens que auxiliam diretamente
o babalaô, tratando do cerimonial, dirigindo os
trabalhos de incorporação dos médiuns,
entoando os pontos cantados e zelando pela perfeita
ordem do terreiro; conhecem as forças das ervas,
os segredos e os efeitos dos pontos riscados, a comida
dos Santos e sabem manejar a faca para sacrificar os
animais. Quando mulheres, tem o nome de jabonan, jibonan
ou “Mãe pequena”, que são
encarregadas também de dirigir as danças
e devem ocupar-se com as mulheres.
c. Cambones, cambonos ou cambandos e as sambas. Todos
são “Filhos ou Filhas de Santo”.
São auxiliares, competindo-lhes abrir o terreiro,
receber qualquer babalaô, enxugar o rosto dos
médiuns, evitar que se machuquem, socorrê-los
quando em transe, ajudar nas danças e cantar
para as grandes cerimônias. Os cambones prestam
auxilio aos homens, as sambas as mulheres.
d. Médiuns, julgados em condições
de incorporar ou receber os Orixás Menores. Na
Umbanda esses médiuns, quando incorporados, são
chamados também cavalos, aparelhos, moleques,
etc.
Segundo a doutrina umbandista ele é chamado
de cavalo porque o médium é realmente
o cavalo de que se serve o cavaleiro (o guia, espírito
ou orixá) para percorrer o caminho dessa nova
espécie de apostolado da mentira: ensinar aos
filhos da Umbanda a “vereda da luz”.
Todo cavalo depois de domado, tem o seu cavaleiro; assim
todo o cavalo de Umbanda , depois de desenvolvido, tem
seu guia seu cavaleiro de Aruanda.
10 - INSTRUMENTO DA MAGIA UMBANDISTA
Está em uso uma infinita variedade de instrumentos
na Umbanda, para a prática da Magia: Vestimentas
as mais variadas, tambores, chocalhos, pembas de todas
as cores (pedra de giz), ponteiros (punhais de aço),
moringues de barro, velas de cera, fitas de seda, barbante
(linha
crua), conchas marinhas, estrelas do mar, defumadores
de toda as espécies, flechas, capacetes
de penas (cocares), guias (colares de contas), plantas
e raízes, charutos e cachimbos, fumo de rolo,
pombos pretos, galos vermelhos ou pretos, sangue de
boi, farofa de farinha de mandioca, bebidas, cervejas,
várias espécies de vinhos, marafa (cachaça),
azeite de dendê, mel de abelha, pólvora,
carvão, enxofre em pedra ou pó, perfumes
e essências, etc.
11 - JOGOS DE BÚZIOS
Muitos vão ao terreiro pedir ao “Pai de
Santo” que “bote os búzios”,
isto é, que interrogue os espíritos sobre
determinado problema, sobre a natureza de alguma aflição
ou doença, sobre o êxito de certos negócios,
inclusive para resolver problemas políticos.
“Búzios” ou “buzos”são
pequenas conchas marinhas, por meio das quais os babalaôs
se comunicam com os espíritos. Os búzios,
depois de apanhados na praias, recebem um batismo, os
búzios assim consagrados, são guardados
dentro do altar. Normalmente o número de
búzios é 12, mas este número pode
aumentar até 16 ou 20. Os búzios
recebem cada um o nome de um Orixá.
Doze búzios são convincentemente preparados
pelo babalorixá; para se saber de alguma coisa,
fecham-se os búzios na mão direita e depois,
abrindo esta, como quem está jogando dados, atiram-se
os búzios sobre a mesa. Os búzios formam
então várias figuras, que são interpretadas
pelo babalorixá. Quando o babalorixá está
jogando os búzios, há sempre espírito
junto dele e do consulente. Esses espíritos auxiliam
o babalorixá a interpretar as figuras muito complicadas.
Antes de iniciar a adivinhação, o babalorixá
dirige uma pequena prece ao seu Guia e ao Guia do consulente. Estas
consultas devem ser pagas e aí há muita
exploração. |